quinta-feira, 28 de junho de 2012
Lula, Fernando Haddad e Ratinho são multados pelo TRE-SP
Lula, Fernando Haddad e Ratinho são multados pelo TRE-SP
Por entender que houve propaganda eleitoral antecipada, ainda que de forma velada, durante apresentação no programa do Ratinho, a juiza auxiliar da propaganda eleitoral Carla Themis Lagrotta Germano multou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pré-candidato à prefeitura de São Paulo Fernando Haddad (PT), a emissora SBT e o apresentador Ratinho. Cada um dos condenados foi multado em R$ 5 mil. O processo que originou a multa foi movido pelo PSDB e o PPS. As informações são do portal Terra.
De acordo com a juíza, há espaço legal para que os candidatos sejam entrevistados, "entretanto, em que pese assegurado o direito à entrevista, ele não pode estar eivado de abuso de poder".
"Há clara indução ao eleitor no pedido de votos, na medida em que o pré-candidato se identifica como sendo o 'novo' na política, e naquele em que a população irá votar, porque quer mudança", disse a juíza em sua sentença. Segundo ela, há "ausência de equilíbrio entre os pré-candidatos" na entrevista do Ratinho e SBT, além da "aberta campanha" feita pelo ex-presidente Lula.
A equipe do petista Fernando Haddad disse que irá recorrer da decisão. A assessoria do ex-presidente Lula afirmou que ele não pretende se manifestar sobre o assunto no momento, e irá estudar qual atitude tomar. A assessoria do SBT afirmou que não irá se pronunciar sobre o assunto. Já os representantes de Ratinho disseram que ele não vai comentar o ocorrido até que os advogados recebam a intimação oficial. Mas afirmaram que Ratinho recebeu a notícia de maneira tranquila e está disposto a pagar a multa sem problemas.
Copiado da Revista Consultor Jurídico, 27 de junho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
EX-GOVERNADOR É CONDENADO A RESSARCIR O ERÁRIO EM 16,5 MILHÕES
Ex-governador é condenado a ressarcir o erário em R$ 16,5 milhões
Fonte | TJRN - Quarta Feira, 27 de Junho de 2012
O juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Natal, Ibanez Monteiro, condenou o ex-governador F.F. ao pagamento de R$ 16,5 milhões, sendo R$ 11 milhões a título de ressarcimento de dano ao erário estadual; e R$ 5,5 milhões relativo ao pagamento de multa civil.
A decisão do magistrado é relativa a concessão de gratificações de gabinete, na época em que era chefe do Executivo, a pessoas estranhas aos quadros do funcionalismo público.
F.F. foi condenado ainda a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, proibição de contratar com o Poder Público. Essas punições foi extensivas à secretária à época, Maria do Socorro Dias de Oliveira. O juiz também confirmou decisão liminar que decretou a indisponibilidade dos bens do ex-governador.
Processo nº 0026971-17.2005.8.20.0001
Copiado de Jornal JURÍD.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
ERUNDINA: 'Lula deve ter percebido o fora que deu'
Erundina: 'Lula deve ter percebido o fora que deu'
Depois de abdicar ao posto de vice na chapa de Fernando Haddad, a deputada federal criticou a aliança com Paulo Maluf e não poupou ex-presidente
Gabriel Castro
"Com certeza não aparecerei junto com Maluf. Mas estou à disposição do meu partido e da campanha", afirmou Erundina, na primeira entrevista coletiva após o episódio. A deputada federal disse que a forma como o apoio do PP a Haddad foi anunciado, em um evento na casa de Maluf, foi decisiva para sua decisão: "Você vai à residência da pessoa quando tem intimidade com ela". O ponto-chave, segundo Erundina, foi a percepção de que a aliança "tinha se dado com um caráter não-discreto".
De início, a ex-prefeita evitou criticar diretamente a postura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, padrinho da união. "Ele deve ter suas razões”, disse. “Não quero julgar o ex-presidente, mas o fato contribuiu para reforçar a minha decisão de não participar da campanha na condição de vice”. Em seguida, Erundina foi mais incisiva. "Ele nessas alturas já deve ter percebido o fora que deu". A deputada classificou a aliança como uma "concessão de princípios".
Erundina disse que Maluf quer usar a aliança para se "higienizar" do lado de forças políticas diversas à sua trajetória política. E que, politicamente, o deputado federal é um "desastre". "Ele já estava morto e só faltava enterrar”, afirmou. “Com certeza, quem mais lucrou com isso foi ele". Ao mesmo tempo, a deputada (ex-petista) falou que sua presença na chapa aumentaria o potencial eleitoral de Haddad. "Traria comigo muitos militantes petistas que se encontram um pouco afastados e que viriam com muito entusiasmo".
Ainda segundo a deputada, o comando do PSB foi compreensivo. Nesta terça-feira, em reunião com o presidente do partido, Eduardo Campos, Erundina oficializou a saída da chapa. Segundo a ex-prefeita, os companheiros de legenda foram "generosos" e tentaram ponderar. "Mas eu cheguei lá com a decisão tomada", concluiu.
COPIADO DE: veja.com/notícias
Prefeita de Natal desiste de concorrer ao pleito de 2012
Prefeita de Natal desiste de concorrer ao pleito de 2012
A
prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), anunciará nesta segunda-feira
(25) que não se candidatará a reeleição. A informação é da assessoria
de imprensa da pevista, que informou também o nome do ex-deputado Luiz
Almir como candidato do Partido Verde. O engenheiro Sérgio Pinheiro,
ex-secretário Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi), Sérgio Pinheiro,
foi convidado para figurar a chapa na condição de vice. O prego ainda
não estaria batido.
Micarla
de Sousa fará um pronunciamento às 16h de segunda-feira, na sede do PV,
na capital. Ela dirá os motivos que a fizeram desistir do pleito
municipal e anunciará que se dedicará integralmente até o até o final do
ano à gestão.
Com informações da Tribuna do Norte
Com informações da Tribuna do Norte
Copiado de http://www.folhaemdia.com/
VEJA COMO SÃO QUASE TODOS OS POLÍTICOS
domingo, 24 de junho de 2012
MUITOS POLÍTICOS FAZEM ASSIM...

CUIDADO...
COPIADO DE: http://rnpoliticaemdia2012.blogspot.com.br/
sábado, 23 de junho de 2012
Conselho Regional de Medicina do RN processa governo por 'caos' em hospitais
Postado por V&C Artigos e Notícias às 23:37
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern) entrou com um processo na Justiça Federal contra o governo do Estado em virtude do "caos" instalado no maior hospital público do Rio Grande do Norte, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.
A Ação Civil Pública coletiva, pioneira no Rio Grande do Norte, tendo o Cremern como órgão titular, denuncia a falta de condições de atendimento em três setores do hospital: Sala do Politrauma, Centro de Recuperação de Operados (CRO) e necrotério.
A ação cobra uma indenização no valor de R$ 1 milhão por dano moral coletivo - quando o Estado deve indenizar os cidadãos. O valor, segundo o Cremern, deverá ser enviado a um Fundo de Saúde e a duas instituições sugeridas pelo conselho: a Liga Norte-Rio-Grandense Contra o Câncer e a Liga Mossoroense de Combate ao Câncer.
Durante entrevista coletiva realizada na quinta-feira, o presidente do conselho, Jeancarlo Cavalcante, divulgou fotos e vídeos de setores do hospital aos quais só os médicos tem acesso. Cavalcante também explicou o processo de chegada de uma paciente na instituição e a falta de condições de trabalho dos médicos do Estado e do Samu. A ação na Justiça Federal solicita que o Estado providencie leitos para o setor de Politrauma e condições de atendimento digno no CRO, além de melhorias no setor do necrotério, sob pena de pagar multa diária de R$ 20 mil, na pessoa da governadora do Estado, por dano moral coletivo. O processo foi destinado à 4ª Vara Federal e será despachado pela juíza federal Gisele Maria da Silva Araújo Leite.
Terra
sexta-feira, 22 de junho de 2012
"POLÍTICO" ÓLEO DE PEROBA.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
"POLÍTICO" ÓLEO DE PEROBA.

VOCÊ PROCUROU A PESSOA ERRADA, SENHOR CARA DE PAU.
Copiado de RN POLÍTICA EM DIA.
CONTINUAÇÃO DOS FARAÓS
Akhenaton ou Amenófis IV, faraó egípcio (1350 a.C.-1334 a.C.), também chamado Neferkheperure, Aknaton ou Amenhotep IV. Akhenaton era filho de Amenófis III e da imperatriz Tiy e marido de Nefertiti.
Quando criança foi escondido pelos pais, não se sabe se por ter algum defeito ou doença. Nunca aparecia em público ou nas esculturas reais. Isso talvez explique como foi estranhamente retratado quando faraó.
Akhenaton foi o último soberano da XVIII dinastia do Império Novo e se destacou por identificar-se com Aton, deus solar, aceitando-o como único criador do universo. Alguns eruditos consideram-no o primeiro monoteísta. Depois de instituir a nova religião, mudou seu nome de Amenófis IV para Akhenaton, que significa “Aton está satisfeito”. Mudou a capital de Tebas para Akhenaton, na atual localização de Tell al-Amama, dedicando-a a Aton, e ordenou a destruição de todos os resquícios da religião politeísta de seus ancestrais. Essa revolução religiosa determinou transformações no trabalho dos artistas egípcios e, também, no desenvolvimento de uma nova literatura religiosa. Entretanto, essas mudanças não continuaram após a morte de Akhenaton. Seu genro, Tutankhamen, restaurou a antiga religião politeísta e a arte egípcia uma vez mais foi sacralizada.
Copiado de: http://arquivom.wordpress.com/2008/11/10/akenathon-nefertiti
Continua amanhã.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
OS FARAÓS EGIPCIOS
Sou fascinado pela cultura Egípcia e, na minha busca sobre o Egito, encontrei um blog onde encontrei fatos sobre aquele País e sua cultura que me deixaram fascinado. Assim, resolvi mostrar um pouco disso a vocês. Como não quero enfadá-los com trechos longos, vou, se possível, todo dia, postar um pouco do que li no mencionado blog, sobre os Faraós e suas culturas e feitos, como se fosse um seriado, coisa que eu amava quando garoto e adolescente. Vamos a eles (tudo ao pé da letra):
Quéfren, quarto faraó (2603-2578 a.C.) da IV Dinastia do Egito. Construiu uma das pirâmides de Gizé. Durante muito tempo, pensou-se que a Grande Esfinge próxima a ela era uma representação do rei. Quéfren foi sucedido por seu filho Miquerinos.
Tutmés I, faraó do Egito (1524-1518 a.C.) da XVIII dinastia, sucessor do seu cunhado Amenófis I (que reinou em 1551-1524 a.C.). Destacado militar, foi o primeiro faraó a ser enterrado no Vale dos Reis.
Tutmés II, faraó do Egito (1518-1504 a.C.), filho de Tutmés I e meio-irmão e marido da rainha Hatshepsut. Enviou uma expedição contra as tribos núbias rebeladas contra sua soberania e contra os beduínos, povo nômade dos desertos da Arábia e do Sinai.
Tutmés III, faraó do Egipto (1504-1450 a.C.). Era filho de Tutmés II e genro de Hatshepsut. Durante seu reinado, Tutmés III realizou 17 campanhas militares bem sucedidas, conquistando a Núbia e o Ludão. Conseguiu que os mais importantes estados lhe rendessem tributo: Creta, Chipre, Mitani, Hatti (o reino dos hititas), Assíria e Babilônia. Tutmés III afirmou a hegemonia egípcia em todo o Oriente Médio.
Tutmés IV, faraó do Egito (1419-1386 a.C.) da XVIII dinastia, filho de Amenófis II e neto de Tutmés III. Comandou expedições militares contra a Núbia e a Síria, e negociou alianças com a Babilônia e o Mitanni.
Amenófis III, faraó do Egito (1386-1349 a.C.), da XVIII Dinastia, responsável por grandes trabalhos arquitetônicos, entre os quais parte do templo de Luxor e o colosso de Mêmnón. Seu reinado foi de paz e prosperidade.
Até amanhã. Lindomar Paiva.
ESCLARECIMENTOS DO BLOG.
Dia 19 próximo passado recebi um e-mail intitulado MINHAS CORRUPÇÕES PREDILETAS. Achei interessante e resolvi publicar neste blog. Como não publico nada sem citar a origem, resolvi pesquisar o autor da matéria (Janer Cristaldo) e, achando sua coluna e seu blog, li várias matérias que achei que seria interessante trazer ao conhecimento de meus leitores, portanto, aí está a razão de tantas materias copiadas e publicadas, hoje, do mesmo blog. Lindomar Paiva.
Quem sabe, dependendo da aceitação, amanhã publique mais do colunistal Cristaldo?
Quem sabe, dependendo da aceitação, amanhã publique mais do colunistal Cristaldo?
SOBRE A PERICULOSIDADE DOS ORNITÓLOGOS
SOBRE A PERICULOSIDADE DOS ORNITÓLOGOS *
Ano passado, comentei o perigo que os ornitólogos representam para a economia de um país. A idéia que temos destes senhores é a de pacatos cidadãos que adoram observar essas maravilhas da natureza, os passarinhos. Até pode ser. Mas sempre é bom desconfiar quando ornitólogos apresentam um pássaro na televisão. Normalmente, há grossa sacanagem de ONGs e ambientalistas atrás disto.
Nos dias em que vivi no Paraná, durante semanas foi vedete dos noticiários televisivos um pequeno pássaro, uma espécie de pardal, que estaria ameaçado de extinção. Chamava-se curiango-do-banhado e habitava nos arredores de Curitiba. Durante longos minutos, o bichinho era exibido em seus ângulos mais simpáticos, sempre com a mensagem: corre perigo de extinção. Ano seguinte, foi a vez de uma nova espécie de tapaculo, da família Rhinocryptidae, batizada com o nome popular de macuquinho-da-várzea. Também vivia nos arredores de Curitiba. Algumas semanas mais tarde se soube ao que vinham o curiango-do-banhado e o macuquinho-da-várzea. Para preservá-los, era preciso preservar seu habitat natural. E para preservar seu habitat natural, as tais de ONGs fizeram uma ferrenha campanha para impedir a construção de uma barragem que abasteceria a capital paranaense. Me consta que o projeto de barragem morreu na casca.
Há alguns anos, vi uma reportagem no 60 Minutes sobre uma região da Índia que abrigava quarenta milhões de habitantes. O programa começava mostrando mulheres e crianças carregando em baldes, para próprio consumo, uma água preta e lamacenta. Outras juntavam esterco de vaca, usado como combustível. Havia um projeto de uma represa para abastecer de energia elétrica e água potável a região toda. Uma ONG vetou o projeto junto ao Banco Mundial, com a argumentação de que a represa ameaçava uma espécie qualquer de tigre. A represa gorou e quarenta milhões de pessoas continuaram a beber água podre e cozinhar com esterco de vaca.
A reportagem entrevistava em Nova York, em um elegante apartamento, a porta-voz da ONG que conseguiu sepultar a represa. Não sei se a moça percebeu a ironia, mas o repórter a filma enchendo um copo de límpida água de torneira. O repórter quer saber porque privar milhões de pessoas de água limpa. A moça dizia mais ou menos o seguinte (cito de memória): não queremos que aquelas populações adquiram os hábitos de consumo do Ocidente. É como se dissesse: esses hábitos do Ocidente são privilégios de ocidentais. Vocês aí, continuem catando esterco de vaca.
Claro que a moça jamais viveu naquelas condições. Eu, água preta à parte, vivi. Em meus dias de guri, esterco de vaca era um dos combustíveis que usávamos. Outro eram gravetos de chirca, um arbusto daninho que invade os campos. E também madeira de árvores, particularmente de eucaliptos. Mas hoje o Ibama proíbe derrubar qualquer árvore. Quanto à água, tinha-se água limpa. O problema é que tinha de ser buscada, operação que tomava uma boa hora de cada dia.
Primeiro era preciso encilhar um cavalo, atrelar uma rasta com uma barrica, levar a barrica até a cacimba - a mais de quilômetro de distância -, enchê-la pacientemente balde a balde, usando um pano qualquer para coar a água. A fauna macroscópica ficava se contorcendo sobre o pano. Quanto à microscópica ninguém ligava e jamais vi morrer alguém por beber daquela água. A água gelada daquela cacimba até hoje me dá saudades. Quando migrei para a cidade, vi a água correndo da torneira como se estivesse diante de um milagre. Todas as casas de Roma tinham água encanada antes de Cristo. No Brasil, até hoje, milhões de pessoas não dispõem deste conforto.
Mais de trezentos projetos de barragens já foram engavetados no mundo, especialmente na África, Ásia e América Latina, por obra de ONGs. Estas organizações estão cometendo crimes contra a humanidade, ao condenar milhões de pessoas a viver longe da água potável e energia elétrica. Seus militantes são sempre oriundos de países desenvolvidos, todos pontilhados de represas. Sua ação sempre incide sobre países do Terceiro Mundo, que precisam de energia para abandonar esta condição. É preciso olhar com cautela para os defensores aguerridos da fauna. Tigres ou passarinhos, bichinhos comoventes tipo o mico-leão-dourado, constituem uma ameaça ao desenvolvimento de países pobres quando manipulados por ongueiros.
Semana passada, dois simpáticos passarinhos ameaçados de extinção ilustraram uma reportagem na Folha de São Paulo, o papa-formigas-de-topete-branco e o rapazinho-carijó. Segundo recente estudo feito por cientistas brasileiros - e americanos, como não poderia deixar de ser - as unidades de conservação pequenas têm potencial limitado na conservação da biodiversidade na Amazônia quando se trata de espécies de pássaros. A conclusão é de um novo estudo de cientistas do Brasil e dos Estados Unidos, a partir de levantamentos feitos desde 1979 numa área desmatada perto de Manaus. Os cientistas tentam entender qual é fator mais crucial para a sobrevivência de espécies em um determinado fragmento de mata que tenha restado numa região desmatada. É mais importante que esse fragmento seja grande ou é mais importante que ele não esteja muito isolado de outros trechos de mata?
Seja qual for a conclusão, é óbvio que se oporá a qualquer iniciativa para desenvolver a região. 'Fragmentos de cem hectares perdem a metade do número de espécies de ave em cerca de 15 anos", diz o pesquisador, que alerta para um problema: "Para diminuir dez vezes a velocidade de perda, é preciso aumentar cem vezes a área". Confesso que não sei o que está sendo projetado para a região. De qualquer forma, desde quando passarinho é prioritário ante um projeto de agricultura ou pecuária? Por outro lado, pássaros voam. Se um território tornou-se hostil, eles buscam outro. Pássaros migram. Não é preciso ser ornitólogo para saber disto. Quando migram, não migram a pé. Asas vão longe e a Amazônia é vasta.
Isto pode ser observado no Sul do país. Afugentadas pelos agrotóxicos, muitas aves do campo estão buscando as cidades. O quero-quero, ave campestre que jamais pousou em árvores, já aprendeu até mesmo a pousar em cumeeiras de casas. Necessidade obriga. Mais algumas décadas e talvez estejam pousando em fios de telefone. Se é que até lá existirão fios de telefone. Nos anos 70, uma foto feita por um fotógrafo do Estadão ganhou prêmios internacionais, a foto de um ninho de pomba. Isolada na urbe, sem a matéria-prima usual para a construção de seu ninho - folhas e gravetos - a pomba inovou: fez um ninho de clips. Man tager vad man haver, dizia uma profunda escritora sueca, Kajsa Varg. Em bom português: a gente pega o que a gente tem. (Em tempo: Kajsa Varg é autora de livros de culinária). Os pássaros se adaptam. Quem não se adapta são os ambientalistas, aferrados a seus dogmas ecológicos.
Esses estudos que surgem de tempos em tempos nos jornais, visando criar santuários para pássaros, não passam de pretextos de ecochatos para impedir projetos agrários, usinas, estradas. Num país que não consegue sequer dar segurança a seus cidadãos, ainda há quem queira preservar o bem-estar dos pássaros. Os pássaros-vítimas-do-desenvolvimento - ou animais - têm de ser simpáticos para comover a opinião pública. Ninguém se comoveria com a preservação dos morcegos. Que nojo! Muito menos de aranhas, escorpiões ou lacraias. Já o mico-leão-dourado é podre de charme.
Assim, quando você vir ornitólogos passeando pela floresta, de binóculos em punho, como quem inocentemente observa pássaros, cuidado: algo devem estar tramando contra a humanidade.
COPIADO DE: http://cristaldo.blogspot.com.br
Ano passado, comentei o perigo que os ornitólogos representam para a economia de um país. A idéia que temos destes senhores é a de pacatos cidadãos que adoram observar essas maravilhas da natureza, os passarinhos. Até pode ser. Mas sempre é bom desconfiar quando ornitólogos apresentam um pássaro na televisão. Normalmente, há grossa sacanagem de ONGs e ambientalistas atrás disto.
Nos dias em que vivi no Paraná, durante semanas foi vedete dos noticiários televisivos um pequeno pássaro, uma espécie de pardal, que estaria ameaçado de extinção. Chamava-se curiango-do-banhado e habitava nos arredores de Curitiba. Durante longos minutos, o bichinho era exibido em seus ângulos mais simpáticos, sempre com a mensagem: corre perigo de extinção. Ano seguinte, foi a vez de uma nova espécie de tapaculo, da família Rhinocryptidae, batizada com o nome popular de macuquinho-da-várzea. Também vivia nos arredores de Curitiba. Algumas semanas mais tarde se soube ao que vinham o curiango-do-banhado e o macuquinho-da-várzea. Para preservá-los, era preciso preservar seu habitat natural. E para preservar seu habitat natural, as tais de ONGs fizeram uma ferrenha campanha para impedir a construção de uma barragem que abasteceria a capital paranaense. Me consta que o projeto de barragem morreu na casca.
Há alguns anos, vi uma reportagem no 60 Minutes sobre uma região da Índia que abrigava quarenta milhões de habitantes. O programa começava mostrando mulheres e crianças carregando em baldes, para próprio consumo, uma água preta e lamacenta. Outras juntavam esterco de vaca, usado como combustível. Havia um projeto de uma represa para abastecer de energia elétrica e água potável a região toda. Uma ONG vetou o projeto junto ao Banco Mundial, com a argumentação de que a represa ameaçava uma espécie qualquer de tigre. A represa gorou e quarenta milhões de pessoas continuaram a beber água podre e cozinhar com esterco de vaca.
A reportagem entrevistava em Nova York, em um elegante apartamento, a porta-voz da ONG que conseguiu sepultar a represa. Não sei se a moça percebeu a ironia, mas o repórter a filma enchendo um copo de límpida água de torneira. O repórter quer saber porque privar milhões de pessoas de água limpa. A moça dizia mais ou menos o seguinte (cito de memória): não queremos que aquelas populações adquiram os hábitos de consumo do Ocidente. É como se dissesse: esses hábitos do Ocidente são privilégios de ocidentais. Vocês aí, continuem catando esterco de vaca.
Claro que a moça jamais viveu naquelas condições. Eu, água preta à parte, vivi. Em meus dias de guri, esterco de vaca era um dos combustíveis que usávamos. Outro eram gravetos de chirca, um arbusto daninho que invade os campos. E também madeira de árvores, particularmente de eucaliptos. Mas hoje o Ibama proíbe derrubar qualquer árvore. Quanto à água, tinha-se água limpa. O problema é que tinha de ser buscada, operação que tomava uma boa hora de cada dia.
Primeiro era preciso encilhar um cavalo, atrelar uma rasta com uma barrica, levar a barrica até a cacimba - a mais de quilômetro de distância -, enchê-la pacientemente balde a balde, usando um pano qualquer para coar a água. A fauna macroscópica ficava se contorcendo sobre o pano. Quanto à microscópica ninguém ligava e jamais vi morrer alguém por beber daquela água. A água gelada daquela cacimba até hoje me dá saudades. Quando migrei para a cidade, vi a água correndo da torneira como se estivesse diante de um milagre. Todas as casas de Roma tinham água encanada antes de Cristo. No Brasil, até hoje, milhões de pessoas não dispõem deste conforto.
Mais de trezentos projetos de barragens já foram engavetados no mundo, especialmente na África, Ásia e América Latina, por obra de ONGs. Estas organizações estão cometendo crimes contra a humanidade, ao condenar milhões de pessoas a viver longe da água potável e energia elétrica. Seus militantes são sempre oriundos de países desenvolvidos, todos pontilhados de represas. Sua ação sempre incide sobre países do Terceiro Mundo, que precisam de energia para abandonar esta condição. É preciso olhar com cautela para os defensores aguerridos da fauna. Tigres ou passarinhos, bichinhos comoventes tipo o mico-leão-dourado, constituem uma ameaça ao desenvolvimento de países pobres quando manipulados por ongueiros.
Semana passada, dois simpáticos passarinhos ameaçados de extinção ilustraram uma reportagem na Folha de São Paulo, o papa-formigas-de-topete-branco e o rapazinho-carijó. Segundo recente estudo feito por cientistas brasileiros - e americanos, como não poderia deixar de ser - as unidades de conservação pequenas têm potencial limitado na conservação da biodiversidade na Amazônia quando se trata de espécies de pássaros. A conclusão é de um novo estudo de cientistas do Brasil e dos Estados Unidos, a partir de levantamentos feitos desde 1979 numa área desmatada perto de Manaus. Os cientistas tentam entender qual é fator mais crucial para a sobrevivência de espécies em um determinado fragmento de mata que tenha restado numa região desmatada. É mais importante que esse fragmento seja grande ou é mais importante que ele não esteja muito isolado de outros trechos de mata?
Seja qual for a conclusão, é óbvio que se oporá a qualquer iniciativa para desenvolver a região. 'Fragmentos de cem hectares perdem a metade do número de espécies de ave em cerca de 15 anos", diz o pesquisador, que alerta para um problema: "Para diminuir dez vezes a velocidade de perda, é preciso aumentar cem vezes a área". Confesso que não sei o que está sendo projetado para a região. De qualquer forma, desde quando passarinho é prioritário ante um projeto de agricultura ou pecuária? Por outro lado, pássaros voam. Se um território tornou-se hostil, eles buscam outro. Pássaros migram. Não é preciso ser ornitólogo para saber disto. Quando migram, não migram a pé. Asas vão longe e a Amazônia é vasta.
Isto pode ser observado no Sul do país. Afugentadas pelos agrotóxicos, muitas aves do campo estão buscando as cidades. O quero-quero, ave campestre que jamais pousou em árvores, já aprendeu até mesmo a pousar em cumeeiras de casas. Necessidade obriga. Mais algumas décadas e talvez estejam pousando em fios de telefone. Se é que até lá existirão fios de telefone. Nos anos 70, uma foto feita por um fotógrafo do Estadão ganhou prêmios internacionais, a foto de um ninho de pomba. Isolada na urbe, sem a matéria-prima usual para a construção de seu ninho - folhas e gravetos - a pomba inovou: fez um ninho de clips. Man tager vad man haver, dizia uma profunda escritora sueca, Kajsa Varg. Em bom português: a gente pega o que a gente tem. (Em tempo: Kajsa Varg é autora de livros de culinária). Os pássaros se adaptam. Quem não se adapta são os ambientalistas, aferrados a seus dogmas ecológicos.
Esses estudos que surgem de tempos em tempos nos jornais, visando criar santuários para pássaros, não passam de pretextos de ecochatos para impedir projetos agrários, usinas, estradas. Num país que não consegue sequer dar segurança a seus cidadãos, ainda há quem queira preservar o bem-estar dos pássaros. Os pássaros-vítimas-do-desenvolvimento - ou animais - têm de ser simpáticos para comover a opinião pública. Ninguém se comoveria com a preservação dos morcegos. Que nojo! Muito menos de aranhas, escorpiões ou lacraias. Já o mico-leão-dourado é podre de charme.
Assim, quando você vir ornitólogos passeando pela floresta, de binóculos em punho, como quem inocentemente observa pássaros, cuidado: algo devem estar tramando contra a humanidade.
COPIADO DE: http://cristaldo.blogspot.com.br
PSICANALISTA É QUALQUER UM
PSICANALISTA É QUALQUER UM
A respeito de crônica recente sobre psicanalistas, me escreve Laís Legg: “Primeiro, vamos definir o que é um "psicanalista". Qual seu curso de graduação? Geralmente, qualquer um”.
De fato, Laís, psicanalista pode ser qualquer um. A profissão de psicanalista não está regulamentada. Nem os psicanalistas querem que seja regulamentada, pois aí alguma "escola" pode ficar fora. Assim sendo, não se exige nem mesmo curso superior para o exercício do ofício. Assim sendo, não se exige nem mesmo curso superior para o exercício do ofício. Na França, para efeitos de imposto de renda, psicanalistas são equiparados a prostitutas, videntes e cartomantes.
Há uns bons quarenta anos, venho afirmando esta evidência. Me sinto clamando no deserto. Ainda hoje há quem pense que o exercício da psicanálise exige curso superior. É claro que se você colocar sua plaquinha, as guildas vão chiar. Que chiem. A profissão não está regulamentada.
Muitos embates tive com esta raça de vigaristas. Ainda jovem, fiz um concurso para secretário de escola. Na hora do exame biométrico, entrei na fila errada, caí na dos concursados para delegados de polícia. Fui examinado por um psicanalista. Sentado em uma cadeira solene, do outro lado da mesa me analisava com olhar percuciente. Eu, numa cadeirinha de réu. Comecei a rir.
- Por que o senhor está rindo?
- Estou rindo porque o senhor, do alto dessa curul, está me observando nesta humilde cadeirinha.
Não sei se ele entendeu a curul, mas senti que não gostou.
- O senhor está rindo de nervoso.
- Vai ver que é, Dr! O senhor é psicanalista. Eu, provavelmente um neurótico qualquer.
- O senhor tem algo contra a psicanálise? – perguntou-me.
Tinha e muito. Havia lido bastante na época sobre o assunto e fui debulhando meus argumentos. Ele não disse nada e dispensou-me. Algumas semanas depois recebi uma comunicação. Devia submeter-me a uma junta psiquiátrica. Se não aceitava a psicanálise, certamente era um perigoso meliante.
Compareci ao exame. Não consigo esquecer da cena. Três doutores, sentados sempre em cadeiras solenes, me olhavam do alto. Eu, numa cadeirinha de réu. Precisava do emprego, respondi como eles gostavam. Fiquei sem saber se fui condenado ou não pelos Torquemadas. Antes da sentença, consegui emprego em jornal e nem me preocupei com o laudo.
Mais adiante, novo confronto. No final dos 70, na Folha da Manhã, Porto Alegre, escrevi que ser psicanalista dispensava curso universitário. Mais ainda, dispensava qualquer curso. Qualquer analfabeto, se quisesse, podia colocar placa de psicanalista em uma sala e sair clinicando. Na época, em São Paulo, após o curso de cinco anos, ao preço de dez ou quinze mil cruzeiros por mês, pessoas sem o pré-requisito do curso de medicina podiam exercer a profissão de psicanalista. Enquanto 38 alunos faziam o curso, outros cem esperavam na fila.
A guilda reagiu com fúria. Um psiquiatra, lembro que chamado Ronaldo Moreira Brum, me acusou nos jornais de nada entender de medicina – como se psicanálise fosse medicina. Ok! Doutor. De medicina nada entendo. Mas entendo de Direito. E psicanalista não é profissão regulamentada. Portanto, qualquer um pode exercê-la. A propósito, tem muito engenheiro e economista desempregado no Brasil, que puseram plaquinha de psicanalista em seus escritórios para ganhar seu pão.
Uma psicóloga e jornalista, Ivete Brandalise, resolveu enfiar sua colher na sopa. Escreveu que devia existir uma lei que regulamentasse a profissão de psicanalista. Que ela, psicóloga, tinha uma lei que regulamentava a sua. Ora, a dita lei era um trenzinho da alegria, no qual embarcaram todos os licenciados em Filosofia. De filósofos, vaga e suspeita ocupação, viraram psicólogos. Ora, lei tem número e data. Desafiei a Brandalise, e também o Dr. Ronaldo, a me citar o número e a data da lei que regulamentava a profissão. Nunca tive resposta.
A cada semana, começava minha crônica: “Enquanto o Dr. Ronaldo não nos fornece o número e a data da famosa lei que regulamenta a profissão de psicanalista...” Nunca forneceu. Soube mais tarde que propôs, em uma reunião da Amrigs (Associação dos Médicos do Rio Grande do Sul), que a entidade me processasse por calúnia. Ou talvez difamação, já não lembro. Prudentemente, a Amrigs decidiu que não iria dar atenção a “um jornalista em busca de sensacionalismo”.
Se bem que, devo confessar, tive notícias de um psicanalista sensato. Em minhas andanças noturnas, conheci uma mulher esplendorosa. Algumas semanas depois, sem mais nem menos, ela bateu à porta de meu humilde tugúrio. Recém-acordado, perplexo e sem acreditar no que via, perguntei ao que vinha.
- Meu psicanalista me liberou para te visitar.
Entra. E passa meu endereço ao doutor. Que mande mais clientes. Profissional dos bons tava ali. Ou seja, mesmo no universo da psicanálise parece existir alguma lucidez. É a chispa da ferradura quando bate na calçada.
A respeito de crônica recente sobre psicanalistas, me escreve Laís Legg: “Primeiro, vamos definir o que é um "psicanalista". Qual seu curso de graduação? Geralmente, qualquer um”.
De fato, Laís, psicanalista pode ser qualquer um. A profissão de psicanalista não está regulamentada. Nem os psicanalistas querem que seja regulamentada, pois aí alguma "escola" pode ficar fora. Assim sendo, não se exige nem mesmo curso superior para o exercício do ofício. Assim sendo, não se exige nem mesmo curso superior para o exercício do ofício. Na França, para efeitos de imposto de renda, psicanalistas são equiparados a prostitutas, videntes e cartomantes.
Há uns bons quarenta anos, venho afirmando esta evidência. Me sinto clamando no deserto. Ainda hoje há quem pense que o exercício da psicanálise exige curso superior. É claro que se você colocar sua plaquinha, as guildas vão chiar. Que chiem. A profissão não está regulamentada.
Muitos embates tive com esta raça de vigaristas. Ainda jovem, fiz um concurso para secretário de escola. Na hora do exame biométrico, entrei na fila errada, caí na dos concursados para delegados de polícia. Fui examinado por um psicanalista. Sentado em uma cadeira solene, do outro lado da mesa me analisava com olhar percuciente. Eu, numa cadeirinha de réu. Comecei a rir.
- Por que o senhor está rindo?
- Estou rindo porque o senhor, do alto dessa curul, está me observando nesta humilde cadeirinha.
Não sei se ele entendeu a curul, mas senti que não gostou.
- O senhor está rindo de nervoso.
- Vai ver que é, Dr! O senhor é psicanalista. Eu, provavelmente um neurótico qualquer.
- O senhor tem algo contra a psicanálise? – perguntou-me.
Tinha e muito. Havia lido bastante na época sobre o assunto e fui debulhando meus argumentos. Ele não disse nada e dispensou-me. Algumas semanas depois recebi uma comunicação. Devia submeter-me a uma junta psiquiátrica. Se não aceitava a psicanálise, certamente era um perigoso meliante.
Compareci ao exame. Não consigo esquecer da cena. Três doutores, sentados sempre em cadeiras solenes, me olhavam do alto. Eu, numa cadeirinha de réu. Precisava do emprego, respondi como eles gostavam. Fiquei sem saber se fui condenado ou não pelos Torquemadas. Antes da sentença, consegui emprego em jornal e nem me preocupei com o laudo.
Mais adiante, novo confronto. No final dos 70, na Folha da Manhã, Porto Alegre, escrevi que ser psicanalista dispensava curso universitário. Mais ainda, dispensava qualquer curso. Qualquer analfabeto, se quisesse, podia colocar placa de psicanalista em uma sala e sair clinicando. Na época, em São Paulo, após o curso de cinco anos, ao preço de dez ou quinze mil cruzeiros por mês, pessoas sem o pré-requisito do curso de medicina podiam exercer a profissão de psicanalista. Enquanto 38 alunos faziam o curso, outros cem esperavam na fila.
A guilda reagiu com fúria. Um psiquiatra, lembro que chamado Ronaldo Moreira Brum, me acusou nos jornais de nada entender de medicina – como se psicanálise fosse medicina. Ok! Doutor. De medicina nada entendo. Mas entendo de Direito. E psicanalista não é profissão regulamentada. Portanto, qualquer um pode exercê-la. A propósito, tem muito engenheiro e economista desempregado no Brasil, que puseram plaquinha de psicanalista em seus escritórios para ganhar seu pão.
Uma psicóloga e jornalista, Ivete Brandalise, resolveu enfiar sua colher na sopa. Escreveu que devia existir uma lei que regulamentasse a profissão de psicanalista. Que ela, psicóloga, tinha uma lei que regulamentava a sua. Ora, a dita lei era um trenzinho da alegria, no qual embarcaram todos os licenciados em Filosofia. De filósofos, vaga e suspeita ocupação, viraram psicólogos. Ora, lei tem número e data. Desafiei a Brandalise, e também o Dr. Ronaldo, a me citar o número e a data da lei que regulamentava a profissão. Nunca tive resposta.
A cada semana, começava minha crônica: “Enquanto o Dr. Ronaldo não nos fornece o número e a data da famosa lei que regulamenta a profissão de psicanalista...” Nunca forneceu. Soube mais tarde que propôs, em uma reunião da Amrigs (Associação dos Médicos do Rio Grande do Sul), que a entidade me processasse por calúnia. Ou talvez difamação, já não lembro. Prudentemente, a Amrigs decidiu que não iria dar atenção a “um jornalista em busca de sensacionalismo”.
Se bem que, devo confessar, tive notícias de um psicanalista sensato. Em minhas andanças noturnas, conheci uma mulher esplendorosa. Algumas semanas depois, sem mais nem menos, ela bateu à porta de meu humilde tugúrio. Recém-acordado, perplexo e sem acreditar no que via, perguntei ao que vinha.
- Meu psicanalista me liberou para te visitar.
Entra. E passa meu endereço ao doutor. Que mande mais clientes. Profissional dos bons tava ali. Ou seja, mesmo no universo da psicanálise parece existir alguma lucidez. É a chispa da ferradura quando bate na calçada.
FESTIVAL DOS ECOCHATOS
BAN KI MOON INAUGURA
FESTIVAL DOS ECOCHATOS
COM SOLENE BOBAGEM
Já atravessei muitas fronteiras e confesso que fronteiras são sempre desconfortáveis. Interrupção da viagem, burocracia, passaportes, vistos, troca de moedas, isso sem falar de uma nova língua e novos costumes. Estes últimos são o de menos, afinal viajamos para conhecer o novo. De 1996 para cá, com o Acordo de Schengen, pelo menos na Europa, tudo se tornou mais fácil. Esta convenção entre países significou uma política de abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas entre os países signatários.
Em um total de 30 países, incluindo todos os integrantes da União (exceto Irlanda e Reino Unido), mais três países que não são membros da UE (Islândia, Noruega e Suíça), tornou-se possível viajar sem apresentar documentos. Você tem o passaporte carimbado no primeiro que entra e naquele por onde sai. Desagradável para quem gosta, como eu, de colecionar vistos, mas mais confortável para quem viaja.
Outro passo para a eliminação de fronteiras foi a introdução do euro como moeda comum na maioria dos países europeus. Eu estava em Roma, no 1º de janeiro de 2002, quando os magos da economia trouxeram ao continente euro, incenso e mirra. Era outra fronteira que caía, a da moeda. No encontro de Maastricht, em 91, o euro soava como distante quimera. A cada país que você visitava, precisava trocar moeda e refazer seus cálculos. Hoje, apesar dos eurocéticos, há uma euroforia em todo o continente. Bancos e correios estiveram constantemente lotados nos últimos dias de 2002, com filas de cidadãos ansiosos por pôr as mãos em um pequeno kit da nova divisa. Nem mesmo os gregos, cuja dracma tinha nada menos que 2.600 anos, choraram o enterro da velha moeda. Na ocasião, até mesmo os textos de Platão e Aristóteles se tornaram ligeiramente mais envelhecidos.
Verdade que hoje, com a crise européia, os inimigos do euro estão fazendo festa. Há quem julgue que a Grécia voltará à dracma, ou pelo menos sairá da eurozona. Não sai, não. É muito alto o custo de uma troca de moeda. Sem falar que esta troca abalaria a economia de todos os países do continente.
Mas falava de fronteiras. Tive conhecimento do que realmente significa uma fronteira quando estive pela primeira vez em Berlim. Terá sido no final dos 70. O Muro parecia ter sido erguido para a eternidade e ninguém sonhava, naqueles anos, que um dia pudesse ser demolido. Berlim Ocidental era uma ilha de prosperidade em pleno deserto socialista. Você embarcava em alguma cidade fronteiriça da Alemanha Ocidental e no trem já sentia o cheiro do socialismo. Trens vagabundos, policiais carrancudos acompanhados por cães também policiais, um tratamento hostil dos passageiros, mais ou menos do tipo “o que você veio fazer aqui?”
Ao desembarcar na Berlim Ocidental, a volta ao conforto e bem-estar. A cidade era rica e privilegiada. Funcionava como uma vitrine do capitalismo em meio ao inferno socialista. O Senado berlinense proporcionava uma série de subsídios a quem lá vivia, para manter habitada a vitrine. Era uma das cidades mais confortáveis e baratas da Europa. A amiga que me recebia vivia em um belo apartamento de quatro quartos, cujo aluguel era a metade do que eu pagava em Paris por um quarto-e-sala.
Berlim era a cidade preferida de aposentados e de jovens que preferiam não entrar de rijo na competição capitalista. Um pequeno paraíso incrustado no mundo soviético. A Kurfürstendamm, Kudamm para os íntimos, com suas lojas e restaurantes suntuosos, fazia um contraste escandaloso à miséria do outro lado do Muro. Minha amiga levou-me lá, para sentir o cheiro do socialismo. Não estou falando por metáforas. Socialismo cheira mal mesmo. Mal atravessei a fronteira, um odor desagradável de carvão vegetal inundou-me as narinas. As diferenças começavam já na travessia do Muro. Do lado de cá, ao entrar no metrô, você punha o tíquete numa máquina eletrônica, que o devolvia do outro lado. Do lado de lá, você tinha de picotar o tíquete em uma alavanca enferrujada. Na fronteira, um policial com cara de buldogue olhava um minuto para sua foto no passaporte e mais outro minuto para seu rosto.
Foi em Berlim, após atravessar muitas outros países, que tive a noção do era realmente uma fronteira. Para quem nasceu na fronteira seca de Upamaruty, entre Uruguai e Brasil, Berlim era um tapa na cara. Quem vive em Livramento ou Rivera, onde se passa de um país a outro sem dar satisfação a autoridade alguma, ficaria perplexo ante o Muro.
Fronteiras podem ser fáceis ou extremamente antipáticas. As do antigo mundo socialista eram abomináveis. Você era visto como um inimigo que estivesse penetrando penetrar na fortaleza assediada do paraíso. Mas fáceis ou abomináveis, as fronteiras são necessárias.
Ban Ki Moon, o secretário-geral da ONU – este festival permanente de discursos inúteis – disse hoje durante a Rio+20 – outro festival de discursos também inúteis – que apesar de os chefes de estado representarem seus países, a noção de fronteira é coisa do passado. “Todos estão interconectados”, declarou.
É espantoso ver como uma autoridade se desloca de New York até o Woodstock dos ecochatos para proferir semelhante bobagem. Que os países estão interconectados, isto não se discute. É exatamente por estarem interconectados que as fronteiras são necessárias. Ou o México se mudaria para os Estados Unidos e a África para a Europa. O tratado de Schengen, que surgiu para facilitar a vida dos europeus, está hoje facilitando a entrada de imigrantes árabes e africanos e já foi contestado pela França. Há 43 milhões de refugiados no mundo todo, hoje. Imagine um planeta sem fronteiras. Os países mais ricos seriam dizimados por uma nuvem de gafanhotos.
A imigração está corroendo a Europa e modificando a cultura americana. Imigração sem controle não prejudica país pobre, apenas os ricos. Há algumas décadas, os imigrantes chegavam em um país querendo saber quais eram seus deveres. Hoje, mal passam a aduana, querem saber de seus direitos. Quando alguém defende a salutar idéia de um maior rigor nas fronteiras, logo saltam os defensores da dita “diversidade cultural” para pichá-lo de nazista. Costumo afirmar que os comunistas, que não conseguiram destruir a Europa com o discurso da luta de classes, querem agora destruí-la em nome da diversidade cultural.
Fronteiras não são coisas do passado. Mais do que nunca as fronteiras se fazem necessárias, para a preservação do que de melhor o Ocidente produziu.
COPIADO DE: http://cristaldo.blogspot.com.br/
FESTIVAL DOS ECOCHATOS
COM SOLENE BOBAGEM
Já atravessei muitas fronteiras e confesso que fronteiras são sempre desconfortáveis. Interrupção da viagem, burocracia, passaportes, vistos, troca de moedas, isso sem falar de uma nova língua e novos costumes. Estes últimos são o de menos, afinal viajamos para conhecer o novo. De 1996 para cá, com o Acordo de Schengen, pelo menos na Europa, tudo se tornou mais fácil. Esta convenção entre países significou uma política de abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas entre os países signatários.
Em um total de 30 países, incluindo todos os integrantes da União (exceto Irlanda e Reino Unido), mais três países que não são membros da UE (Islândia, Noruega e Suíça), tornou-se possível viajar sem apresentar documentos. Você tem o passaporte carimbado no primeiro que entra e naquele por onde sai. Desagradável para quem gosta, como eu, de colecionar vistos, mas mais confortável para quem viaja.
Outro passo para a eliminação de fronteiras foi a introdução do euro como moeda comum na maioria dos países europeus. Eu estava em Roma, no 1º de janeiro de 2002, quando os magos da economia trouxeram ao continente euro, incenso e mirra. Era outra fronteira que caía, a da moeda. No encontro de Maastricht, em 91, o euro soava como distante quimera. A cada país que você visitava, precisava trocar moeda e refazer seus cálculos. Hoje, apesar dos eurocéticos, há uma euroforia em todo o continente. Bancos e correios estiveram constantemente lotados nos últimos dias de 2002, com filas de cidadãos ansiosos por pôr as mãos em um pequeno kit da nova divisa. Nem mesmo os gregos, cuja dracma tinha nada menos que 2.600 anos, choraram o enterro da velha moeda. Na ocasião, até mesmo os textos de Platão e Aristóteles se tornaram ligeiramente mais envelhecidos.
Verdade que hoje, com a crise européia, os inimigos do euro estão fazendo festa. Há quem julgue que a Grécia voltará à dracma, ou pelo menos sairá da eurozona. Não sai, não. É muito alto o custo de uma troca de moeda. Sem falar que esta troca abalaria a economia de todos os países do continente.
Mas falava de fronteiras. Tive conhecimento do que realmente significa uma fronteira quando estive pela primeira vez em Berlim. Terá sido no final dos 70. O Muro parecia ter sido erguido para a eternidade e ninguém sonhava, naqueles anos, que um dia pudesse ser demolido. Berlim Ocidental era uma ilha de prosperidade em pleno deserto socialista. Você embarcava em alguma cidade fronteiriça da Alemanha Ocidental e no trem já sentia o cheiro do socialismo. Trens vagabundos, policiais carrancudos acompanhados por cães também policiais, um tratamento hostil dos passageiros, mais ou menos do tipo “o que você veio fazer aqui?”
Ao desembarcar na Berlim Ocidental, a volta ao conforto e bem-estar. A cidade era rica e privilegiada. Funcionava como uma vitrine do capitalismo em meio ao inferno socialista. O Senado berlinense proporcionava uma série de subsídios a quem lá vivia, para manter habitada a vitrine. Era uma das cidades mais confortáveis e baratas da Europa. A amiga que me recebia vivia em um belo apartamento de quatro quartos, cujo aluguel era a metade do que eu pagava em Paris por um quarto-e-sala.
Berlim era a cidade preferida de aposentados e de jovens que preferiam não entrar de rijo na competição capitalista. Um pequeno paraíso incrustado no mundo soviético. A Kurfürstendamm, Kudamm para os íntimos, com suas lojas e restaurantes suntuosos, fazia um contraste escandaloso à miséria do outro lado do Muro. Minha amiga levou-me lá, para sentir o cheiro do socialismo. Não estou falando por metáforas. Socialismo cheira mal mesmo. Mal atravessei a fronteira, um odor desagradável de carvão vegetal inundou-me as narinas. As diferenças começavam já na travessia do Muro. Do lado de cá, ao entrar no metrô, você punha o tíquete numa máquina eletrônica, que o devolvia do outro lado. Do lado de lá, você tinha de picotar o tíquete em uma alavanca enferrujada. Na fronteira, um policial com cara de buldogue olhava um minuto para sua foto no passaporte e mais outro minuto para seu rosto.
Foi em Berlim, após atravessar muitas outros países, que tive a noção do era realmente uma fronteira. Para quem nasceu na fronteira seca de Upamaruty, entre Uruguai e Brasil, Berlim era um tapa na cara. Quem vive em Livramento ou Rivera, onde se passa de um país a outro sem dar satisfação a autoridade alguma, ficaria perplexo ante o Muro.
Fronteiras podem ser fáceis ou extremamente antipáticas. As do antigo mundo socialista eram abomináveis. Você era visto como um inimigo que estivesse penetrando penetrar na fortaleza assediada do paraíso. Mas fáceis ou abomináveis, as fronteiras são necessárias.
Ban Ki Moon, o secretário-geral da ONU – este festival permanente de discursos inúteis – disse hoje durante a Rio+20 – outro festival de discursos também inúteis – que apesar de os chefes de estado representarem seus países, a noção de fronteira é coisa do passado. “Todos estão interconectados”, declarou.
É espantoso ver como uma autoridade se desloca de New York até o Woodstock dos ecochatos para proferir semelhante bobagem. Que os países estão interconectados, isto não se discute. É exatamente por estarem interconectados que as fronteiras são necessárias. Ou o México se mudaria para os Estados Unidos e a África para a Europa. O tratado de Schengen, que surgiu para facilitar a vida dos europeus, está hoje facilitando a entrada de imigrantes árabes e africanos e já foi contestado pela França. Há 43 milhões de refugiados no mundo todo, hoje. Imagine um planeta sem fronteiras. Os países mais ricos seriam dizimados por uma nuvem de gafanhotos.
A imigração está corroendo a Europa e modificando a cultura americana. Imigração sem controle não prejudica país pobre, apenas os ricos. Há algumas décadas, os imigrantes chegavam em um país querendo saber quais eram seus deveres. Hoje, mal passam a aduana, querem saber de seus direitos. Quando alguém defende a salutar idéia de um maior rigor nas fronteiras, logo saltam os defensores da dita “diversidade cultural” para pichá-lo de nazista. Costumo afirmar que os comunistas, que não conseguiram destruir a Europa com o discurso da luta de classes, querem agora destruí-la em nome da diversidade cultural.
Fronteiras não são coisas do passado. Mais do que nunca as fronteiras se fazem necessárias, para a preservação do que de melhor o Ocidente produziu.
COPIADO DE: http://cristaldo.blogspot.com.br/
COMUNOSSAUROS RESISTEM
Comunossauros resistem
Janer Cristaldo // quarta-feira, 20/06/2012 01:01
Segunda-feira, Junho 18, 2012
COMUNOSSAUROS RESISTEM
Não se fazem mais PTs como antigamente. O partido que era “contra tudo que está aí”, no desespero para impor uma desconhecida nulidade para a prefeitura de São Paulo, fez aliança com Paulo Maluf, um dos meliantes mais procurados pela Interpol. Virou partido a favor do que der e vier. É bom lembrar que o PSDB estava namorando o Maluf. Que preferiu apoiar quem detém o poder. Os partidos, em busca do poder, perderam todo e qualquer pudor.
Como esta aliança se revelou insuficiente, o PT escolheu para vice uma velhota há muito jogada na lata de lixo de História. Nada de espantar. Em um país em que um terrorista italiano é recebido com honrarias oficiais, é perfeitamente normal que situação e oposição lutem a tapas pelo apoio de um criminoso internacional. O curioso é boa parte desta disputa é para ganhar um minuto e 35 segundos de espaço televisivo. Meu Deus, meu Deus! – há horas em que viro místico – ainda há alguém que assista propaganda eleitoral na TV? Pelo jeito há. E se há, merece os políticos que elege.
Costumo afirmar que o comunismo já morreu. Para indignação de alguns leitores, que acham que a peste continua viva e atuante. Quando digo que já morreu, me refiro ao mundo civilizado, onde qualquer pessoa se ruboriza ao defender o obsoletismo. Não é o caso deste país incrível, onde velhas múmias, no afã de preservar a própria biografia, ainda defendem o indefensável.
Luiza Erundina, ao aceitar a candidatura a vice-prefeita de São Paulo, retirou do baú antigas palavras, hoje obscenas. Comparou ontem a eleição de São Paulo à luta de classes. "A sociedade de classes continua tão forte, conflitante, contraditória e antagônica como sempre esteve." E defendeu a implantação do modelo socialista no país, afirmando que a classe trabalhadora não deve disputar apenas "espaço de poder no Estado burguês". Se Stalin queria o socialismo em um país só, para Erundina em um município já basta.
Nossa! Até o PT já tinha abandonado por vetustas essas palavrinhas, tipo luta de classes, socialismo e burguesia. Foi preciso despertar um comunossauro de Uiraúna de seu merencório climatério para voltar ousar a pronunciá-las. "É o socialismo que garante a realização plena do ser humano. É em nome dessa utopia que estamos aqui" – disse Erundina. Pelo jeito, dormia a sono solto no 09 de novembro de 1989. E esqueceram de avisá-la do que aconteceu naquele dia.
Nem os antigos países soviéticos gostam de lembrar do socialismo e dona Erundina quer ressuscitá-lo no Brasil. O socialismo fracassou onde quer que existisse. Até a China optou por um capitalismo não-democrático, mas capitalismo. Hoje só restam dois fantasmas – Cuba e Coréia – que reivindicam o socialismo e vivem uma economia de fome. O comunismo – pois socialismo para Erundina é o velho comunismo - sumiu na janela e só Erundina não viu.
Em todo caso, será uma campanha divertida. Os jornais de segunda-feira trouxeram a foto de um circunspecto Lula apertando a mão de um sorridente Maluf, tendo o afilhado Haddad como pano de fundo. "Esperamos que a Marta se some a nós – disse Erundina –. Se o partido e o candidato me permitirem, vou procurá-la pessoalmente, porque somos amigas e precisamos estar juntas nessa tarefa histórica".
Marta Suplicy faz biquinho, mas acabará se rendendo ao centralismo democrático – como se dizia na antiga nomenclatura. A aliança do “estupra mas não mata” com o “relaxa e goza”. Quem viver, verá.
Ou melhor, seria uma campanha divertida. O projeto de Erundina, de instaurar o socialismo em São Paulo, não durou mais que o sonho de uma noite de verão. Inábil, Lula feriu os brios da cabra da peste. Foi à casa do foragido da Interpol para posar em uma foto e deixou de ir à reunião em que Erundina aceitava a vice. A nordestina achou o puchero meio gordo. Ontem ainda, deu marcha a ré. O socialismo fica para mais tarde. Falta saber se Dona Marta aceitará posar ao lado do esforçado filho do imigrante árabe.
Ao sul, o Oscar do obscurantismo goes to... Roberto Robaina, um dos gurus do PSOL e pré-candidato à prefeitura de Porto Alegre, que twitou há dois dias: “Hj nasceu quem foi exemplo de um homem completo. Se não me engano, esta foi a definição de Sartre sobre Che Guevara. Também penso assim”.
O celerado gaúcho pensa como o celerado parisiense. Guevara, se alguém ainda não sabe, é o exemplo mais perfeito de como lutar e perder todas as lutas. Assassino de gatilho fácil, sua única vitória foi Cuba, país que precisou ser sustentado pela finada União Soviética e hoje vive à beira da fome. Ainda há pouco, Castro, em entrevista a Jeffrey Goldberg, articulista da revista Atlantic Monthly, admitia que o modelo econômico de Cuba não funciona mais. “Nem para nós”. Foi preciso mais de meio século para que Castro admitisse seu fracasso. Nem Castro acredita mais no comunismo cubano. Mas não falta gaúcho fanatizado que ainda louve a façanha de Guevara.
Sartre – que parece ser o mentor intelectual de Robaina - é aquele lúcido pensador que, em 1954, impressionou os intelectuais do Ocidente ao voltar de uma viagem à União Soviética, onde esteve bêbado o tempo todo, quando declarou ao Libération:
"A liberdade de crítica é total na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. E o cidadão soviético melhora sem cessar sua condição no seio de uma sociedade em progressão contínua. Exceto alguns, os russos não têm muita vontade de sair do país... não têm muita vontade de viajar neste momento. Têm outra coisa a fazer em casa".
Mais uma pérola:
"Lá por 1960, antes de 1965, se a França continua estagnada, o nível médio de vida na URSS será de 30 a 40% superior ao nosso. Qualquer que seja o caminho que a França deve seguir para sair de seu imobilismo, para recuperar ser atraso industrial, para se constituir como nação diferente da de hoje, ele não pode ser contrário ao da União Soviética".
E nisso é que dá receber mordomias de Moscou. Esta prostituta respeitosa, que chegou a receber o prêmio Nobel e o recusou de puro despeito, pois Camus o havia recebido antes, foi guru de toda uma geração de tupiniquins. E, pelo jeito, continua sendo. Entende-se agora melhor Nelson Rodrigues quando dizia ser o pensamento de Sartre de uma profundidade tal que uma formiga o atravessava com água pela canela.
Todo anticomunista é um cão, decretou um dia Sartre. Com a autoridade de parisiense que determina qual será o perfume ou filosofia da década, condenou ao círculo dos infames todos os pensadores lúcidos que clamavam por liberdade, Camus inclusive.
Em 1980, assisti por acaso ao enterro de Sartre, acompanhado por stalinistas e compagnons de route. (Estava bebendo no Select Latin, onde passou a procissão). Pena ter morrido tão cedo. Teria hoje a coragem de chamar de cães toda esta gente que derruba dos prédios estrelas vermelhas e rasga das bandeiras a foice e o martelo? Serão cães estas nações que querem abandonar de suas histórias a palavra comunista? É uma pena, realmente, que Sartre não esteja vivo neste final de década.
Em 59, intelectuais do mundo deram apoio logístico e de mídia a Fidel e Che, para instalar a mais longa ditadura da América Latina. De Paris, o filósofo feio, baixinho e confuso veio dar seu aval ao tirano do Caribe. Uma foto da época é das mais emblemáticas: Sartre, de pescoço espichado para o alto, adorando Castro como um Deus. Em La Lune et le Caudillo (Gallimard, 1989), Jeannine Verdès Leroux nos relembra este momento de extraordinária poesia.
- Todos os homens têm direito a tudo que eles pedem - pontifica Castro. - E se eles pedem a lua? - pergunta Sartre. O ditador retoma seu charuto e se volta para o filósofo baixinho: - Se eles pedem a lua, é porque têm necessidade dela.
Pediam a lua no bestunto do ditador e do filósofo. Em verdade, os cubanos queriam dólares, pão e liberdade. Da mesma forma que a Espanha, em 36, foi um campo de treinamento para a Segunda Guerra, a América Latina era laboratório de experimentos sociais para os filosofadores europeus que, no dizer de Camus, assestavam suas poltronas no sentido da História.
O comunismo morreu, dizia. Morreu onde nasceu. Na Europa. Aqui, onde nunca foi implantado, continua sendo uma utopia desejável para os “puros e duros” do PT e do PSOL. Enquanto esta geração não morrer – costumo afirmar – o Brasil continuará atrelado à rabeira da história.
COPIADO DE:http://www.baguete.com.br/colunistas/colunas/31/janer-cristaldo/20/06/2012/
COMUNOSSAUROS RESISTEM
Não se fazem mais PTs como antigamente. O partido que era “contra tudo que está aí”, no desespero para impor uma desconhecida nulidade para a prefeitura de São Paulo, fez aliança com Paulo Maluf, um dos meliantes mais procurados pela Interpol. Virou partido a favor do que der e vier. É bom lembrar que o PSDB estava namorando o Maluf. Que preferiu apoiar quem detém o poder. Os partidos, em busca do poder, perderam todo e qualquer pudor.
Como esta aliança se revelou insuficiente, o PT escolheu para vice uma velhota há muito jogada na lata de lixo de História. Nada de espantar. Em um país em que um terrorista italiano é recebido com honrarias oficiais, é perfeitamente normal que situação e oposição lutem a tapas pelo apoio de um criminoso internacional. O curioso é boa parte desta disputa é para ganhar um minuto e 35 segundos de espaço televisivo. Meu Deus, meu Deus! – há horas em que viro místico – ainda há alguém que assista propaganda eleitoral na TV? Pelo jeito há. E se há, merece os políticos que elege.
Costumo afirmar que o comunismo já morreu. Para indignação de alguns leitores, que acham que a peste continua viva e atuante. Quando digo que já morreu, me refiro ao mundo civilizado, onde qualquer pessoa se ruboriza ao defender o obsoletismo. Não é o caso deste país incrível, onde velhas múmias, no afã de preservar a própria biografia, ainda defendem o indefensável.
Luiza Erundina, ao aceitar a candidatura a vice-prefeita de São Paulo, retirou do baú antigas palavras, hoje obscenas. Comparou ontem a eleição de São Paulo à luta de classes. "A sociedade de classes continua tão forte, conflitante, contraditória e antagônica como sempre esteve." E defendeu a implantação do modelo socialista no país, afirmando que a classe trabalhadora não deve disputar apenas "espaço de poder no Estado burguês". Se Stalin queria o socialismo em um país só, para Erundina em um município já basta.
Nossa! Até o PT já tinha abandonado por vetustas essas palavrinhas, tipo luta de classes, socialismo e burguesia. Foi preciso despertar um comunossauro de Uiraúna de seu merencório climatério para voltar ousar a pronunciá-las. "É o socialismo que garante a realização plena do ser humano. É em nome dessa utopia que estamos aqui" – disse Erundina. Pelo jeito, dormia a sono solto no 09 de novembro de 1989. E esqueceram de avisá-la do que aconteceu naquele dia.
Nem os antigos países soviéticos gostam de lembrar do socialismo e dona Erundina quer ressuscitá-lo no Brasil. O socialismo fracassou onde quer que existisse. Até a China optou por um capitalismo não-democrático, mas capitalismo. Hoje só restam dois fantasmas – Cuba e Coréia – que reivindicam o socialismo e vivem uma economia de fome. O comunismo – pois socialismo para Erundina é o velho comunismo - sumiu na janela e só Erundina não viu.
Em todo caso, será uma campanha divertida. Os jornais de segunda-feira trouxeram a foto de um circunspecto Lula apertando a mão de um sorridente Maluf, tendo o afilhado Haddad como pano de fundo. "Esperamos que a Marta se some a nós – disse Erundina –. Se o partido e o candidato me permitirem, vou procurá-la pessoalmente, porque somos amigas e precisamos estar juntas nessa tarefa histórica".
Marta Suplicy faz biquinho, mas acabará se rendendo ao centralismo democrático – como se dizia na antiga nomenclatura. A aliança do “estupra mas não mata” com o “relaxa e goza”. Quem viver, verá.
Ou melhor, seria uma campanha divertida. O projeto de Erundina, de instaurar o socialismo em São Paulo, não durou mais que o sonho de uma noite de verão. Inábil, Lula feriu os brios da cabra da peste. Foi à casa do foragido da Interpol para posar em uma foto e deixou de ir à reunião em que Erundina aceitava a vice. A nordestina achou o puchero meio gordo. Ontem ainda, deu marcha a ré. O socialismo fica para mais tarde. Falta saber se Dona Marta aceitará posar ao lado do esforçado filho do imigrante árabe.
Ao sul, o Oscar do obscurantismo goes to... Roberto Robaina, um dos gurus do PSOL e pré-candidato à prefeitura de Porto Alegre, que twitou há dois dias: “Hj nasceu quem foi exemplo de um homem completo. Se não me engano, esta foi a definição de Sartre sobre Che Guevara. Também penso assim”.
O celerado gaúcho pensa como o celerado parisiense. Guevara, se alguém ainda não sabe, é o exemplo mais perfeito de como lutar e perder todas as lutas. Assassino de gatilho fácil, sua única vitória foi Cuba, país que precisou ser sustentado pela finada União Soviética e hoje vive à beira da fome. Ainda há pouco, Castro, em entrevista a Jeffrey Goldberg, articulista da revista Atlantic Monthly, admitia que o modelo econômico de Cuba não funciona mais. “Nem para nós”. Foi preciso mais de meio século para que Castro admitisse seu fracasso. Nem Castro acredita mais no comunismo cubano. Mas não falta gaúcho fanatizado que ainda louve a façanha de Guevara.
Sartre – que parece ser o mentor intelectual de Robaina - é aquele lúcido pensador que, em 1954, impressionou os intelectuais do Ocidente ao voltar de uma viagem à União Soviética, onde esteve bêbado o tempo todo, quando declarou ao Libération:
"A liberdade de crítica é total na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. E o cidadão soviético melhora sem cessar sua condição no seio de uma sociedade em progressão contínua. Exceto alguns, os russos não têm muita vontade de sair do país... não têm muita vontade de viajar neste momento. Têm outra coisa a fazer em casa".
Mais uma pérola:
"Lá por 1960, antes de 1965, se a França continua estagnada, o nível médio de vida na URSS será de 30 a 40% superior ao nosso. Qualquer que seja o caminho que a França deve seguir para sair de seu imobilismo, para recuperar ser atraso industrial, para se constituir como nação diferente da de hoje, ele não pode ser contrário ao da União Soviética".
E nisso é que dá receber mordomias de Moscou. Esta prostituta respeitosa, que chegou a receber o prêmio Nobel e o recusou de puro despeito, pois Camus o havia recebido antes, foi guru de toda uma geração de tupiniquins. E, pelo jeito, continua sendo. Entende-se agora melhor Nelson Rodrigues quando dizia ser o pensamento de Sartre de uma profundidade tal que uma formiga o atravessava com água pela canela.
Todo anticomunista é um cão, decretou um dia Sartre. Com a autoridade de parisiense que determina qual será o perfume ou filosofia da década, condenou ao círculo dos infames todos os pensadores lúcidos que clamavam por liberdade, Camus inclusive.
Em 1980, assisti por acaso ao enterro de Sartre, acompanhado por stalinistas e compagnons de route. (Estava bebendo no Select Latin, onde passou a procissão). Pena ter morrido tão cedo. Teria hoje a coragem de chamar de cães toda esta gente que derruba dos prédios estrelas vermelhas e rasga das bandeiras a foice e o martelo? Serão cães estas nações que querem abandonar de suas histórias a palavra comunista? É uma pena, realmente, que Sartre não esteja vivo neste final de década.
Em 59, intelectuais do mundo deram apoio logístico e de mídia a Fidel e Che, para instalar a mais longa ditadura da América Latina. De Paris, o filósofo feio, baixinho e confuso veio dar seu aval ao tirano do Caribe. Uma foto da época é das mais emblemáticas: Sartre, de pescoço espichado para o alto, adorando Castro como um Deus. Em La Lune et le Caudillo (Gallimard, 1989), Jeannine Verdès Leroux nos relembra este momento de extraordinária poesia.
- Todos os homens têm direito a tudo que eles pedem - pontifica Castro. - E se eles pedem a lua? - pergunta Sartre. O ditador retoma seu charuto e se volta para o filósofo baixinho: - Se eles pedem a lua, é porque têm necessidade dela.
Pediam a lua no bestunto do ditador e do filósofo. Em verdade, os cubanos queriam dólares, pão e liberdade. Da mesma forma que a Espanha, em 36, foi um campo de treinamento para a Segunda Guerra, a América Latina era laboratório de experimentos sociais para os filosofadores europeus que, no dizer de Camus, assestavam suas poltronas no sentido da História.
O comunismo morreu, dizia. Morreu onde nasceu. Na Europa. Aqui, onde nunca foi implantado, continua sendo uma utopia desejável para os “puros e duros” do PT e do PSOL. Enquanto esta geração não morrer – costumo afirmar – o Brasil continuará atrelado à rabeira da história.
COPIADO DE:http://www.baguete.com.br/colunistas/colunas/31/janer-cristaldo/20/06/2012/
MINHAS CORRUPÇÕES PREDILETAS
Vejam que tacada esse cabra dá em Chico Buarque, Jorge amado, Paulo Coelho, Jô Soares...
MINHAS CORRUPÇÕES PREDILETAS
É
destas corrupções, perfeitamente legais, que prefiro falar. Porque
delas ninguém fala. Em verdade, nem mesmo os leitores. Não há quem não
chie contra a carga tributária imposta ao contribuinte no Brasil. Mas todos pagam sem chiar as mordomias destas prostitutas das Letras.
Copiado de: Janer Cristaldo - Cristaldo é jornalista, escritor e tradutor e vive em São Paulo
MINHAS CORRUPÇÕES PREDILETAS
Janer Cristaldo
Leitores
querem saber por que não escrevo sobre as grandes corrupções nacionais.
Ora, isto está na primeira página de todos os jornais. A crônica é tão
vasta que já existem extensas compilações on line, para orientar o
leitor no organograma da corrupção. Prefiro falar sobre o que os jornais
não trazem. Por exemplo, o Chico Buarque sendo traduzido na Coréia às custas do contribuinte. Não sei se o leitor notou, mas a dita grande imprensa não disse um pio sobre isto. O que sabemos vem da blogosfera.
Prefiro falar de corrupções mais sutis,
quase imperceptíveis, mas corrupções. A imprensa denuncia com entusiasmo
a corrupção no congresso, na política, nos tribunais. Não diz uma
palavrinha sobre a corrupção no santo dos santos, a universidade.
Corrupção esta mais difícil de ser detectada, já que em geral foi
legalizada. Mordomias para encontros literários internacionais inúteis,
concursos com cartas marcadas, endogamia universitária, tudo isto se
tornou rotina no mundo acadêmico e não é visto como corrupção.
JORGE AMADO
|
Tampouco se fala sobre a corrupção no mundo literário, que há muito se prostituiu. Jorge Amado,
que passou boa parte de sua vida escrevendo a soldo de Moscou, está
sendo homenageado nestes dias no país todo. Devo ter sido o único
jornalista que o denuncia – e isto há décadas – como a prostituta-mor
das letras tupiniquins.
Corrupção só existe quando em uma ponta
está o Estado. Se o dono de meu boteco me cobra 50 reais por uma cerveja
e eu pago com meu dinheiro, pode ter ocorrido um abuso, mas jamais
corrupção. O dinheiro é meu e a ele dou a destinação que quiser, por
estúpida que seja. Mas se um fornecedor de cervejas as vende por 50
reais ao governo, está caracterizada a corrupção. Porque governo não tem
dinheiro. Governo paga com os meus, os teus, os nossos impostos. E
obviamente alguém do governo vai levar algo nessa negociata.
Escritores, esses curiosos profissionais
que querem transformar suas inefáveis dores-de-cotovelo em fonte de
renda, adoram subsídios do Estado. Não falta quem pretenda a
regulamentação da profissão. O que não seria de espantar,neste país onde até a profissão de benzedeira acaba de ser reconhecida no Paraná. (Voltarei ao assunto).
Em 2002, Mário Prata, medíocre cronista do Estadão, pedia a Fernando Henrique Cardoso o reconhecimento da profissão de escritor: "O que eu quero, meu presidente, é que antes de o senhor deixar o governo, me reconheça como escritor".
Claro que não era apenas a oficialização de uma profissão que estava em
jogo. Mas o financiamento público da guilda. Cabe observar como o
cronista, subserviente, se habilita ao privilégio: “meu presidente”.
Esquecendo que existe um Congresso neste
país, o cronista pedia ao presidente a elaboração de uma lei. Mais
ainda. Citava a Inglaterra como exemplo de país onde o escritor é
reconhecido. Lá, segundo o cronista, toda editora que publicar um livro,
tinha que mandar um exemplar para cada biblioteca pública do país. "Claro
que os 40 mil exemplares são comprados pelo governo. Quem ganha? Em
primeiro lugar o público. Ganha a editora, ganha o escritor. Ganha o
País. Ganha a profissão".
E quem perde? - seria de perguntar-se. A
resposta é simples: como o governo não paga de seu bolso coisa alguma,
perde o contribuinte, que com os impostos tem de sustentar autores até
mesmo sem público. É o que chamo de indústria textil. Textil assim mesmo, sem acento: a indústria do texto. É uma indústria divina: você pode não ter nem um mísero leitor e vender 40 mil exemplares. O
personagem mais venal que conheço é o escritor profissional. Ele segue
os baixos instintos de sua clientela. O público quer medo? Ele oferece
medo. O público quer lágrimas? Ele vende lágrimas. O público quer
auto-ajuda? Ele a fornece. É preciso salvar o famoso leite das
criancinhas.
No fundo,
saudades da finada União Soviética, onde os escritores eram pagos pelo
Estado comunista para louvar o Estado comunista. Seguidamente comento – e
creio ser o único a comentar – o livro A Sombra do Kremlin, relato
de viagem do jornalista gaúcho Orlando Loureiro, que viajou a Moscou em
1952, mais ou menos na mesma época que outro jornalista gaúcho, Josué Guimarães.
Enquanto Josué, comunista de carteirinha, vê o paraíso na União
Soviética em As Muralhas de Jericó, Loureiro vê uma rígida ditadura, que
assume o controle de todo pensamento. Comentando a literatura na então
gloriosa e triunfante URSS, escreve Loureiro:
A
União dos Escritores funciona como um Vaticano para a moderna literatura
soviética. O julgamento das obras a serem lançadas obedece a um
critério estreito e sectário de crítica literária. Esta função é
exercida por um conselho reunido em assembléia, que discute os novos
livros e sobre eles firma a opinião oficial da sociedade. A exegese não
se restringe aos aspectos literários ou artísticos da obra julgada,
senão que abrange com particular severidade seu conteúdo filosófico, que
deve estar em harmonia absoluta com os conceitos de “realidade
socialista” e guardar absoluta fidelidade aos princípios ideológicos da
doutrina marxista. Se o livro apresentar méritos dentro do ponto de
vista dessa moral convencionada, se resistir a esse teste de
eliminatória, então passará por um rigoroso trabalho de equipe dentro
dos órgãos técnicos da União, podendo vir a tornar-se num legítimo
best-seller, com tiragens astronômicas de 2 a 3 milhões de exemplares. E
o seu modesto e obscuro autor poderá ser um nouveau riche da literatura
e será festejado e exaltado e terminará ganhando o cobiçado prêmio
Stalin...
Foi o que aconteceu com a prostituta-mor das letras brasileiras. Em 1950, o ex-nazista e militante comunistaJorge Amado passou
a residir no Castelo da União dos Escritores, em Dobris, na
ex-Tchecoslováquia, onde escreveu O Mundo da Paz, uma ode a Lênin,
Stalin e ao ditador albanês Envers Hodja. No ano seguinte, quando o
livro foi publicado, recebeu em Moscou o Prêmio Stalin
Internacional da Paz, atribuído ao conjunto de sua obra, condecoração
geralmente omitida em suas biografias.
Não que hoje se peça profissão de fé
marxista ou louvores a Stalin. No Brasil, para ter sucesso, o escritor
hoje tem de aderir ao esquerdismo governamental. Não precisa louvar
abertamente o PT. Mas se tiver dito uma única palavrinha contra, não é
convidado nem para tertúlia nos salões literários de Não-me-toques. Você
jamais ouvirá um Luís Fernando Verissimo, Mário Prata, Inácio de Loyola Brandão ou Cristóvão Tezzafazendo
o mínimo reproche às corrupções do PT. Perderiam as recomendações
oficiais como leituras escolares e acadêmicas... e uma considerável
fatia de seus direitos de autor. O livro de Loureiro não mais existe, só
pode ser encontrado em sebos. Os de Josué
continuam nas livrarias. Et pour cause...
Escritor financiado pelo Estado é escritor que vendeu sua alma ao poder. É
o que acontece quando literatura vira profissão. Alguns se rendem aos
baixos instintos do grande público e fazem fortuna considerável. Uma
minoria consegue exercer honestamente a literatura e manter a cabeça
acima da linha d'água.
Uma
imensa maioria, que não consegue ganhar a vida nem honesta nem
desonestamente, apela à cornucópia mais ao alcance de suas mãos, o bolso
do contribuinte. É o caso deChico Buarque,
o talentoso escritor cujo talento maior parece ser descolar
financiamento para sua “obra” junto ao contribuinte. Mas Chico está
longe de ser o único. Está cometendo algum crime? Nenhum, seus subsídios
são perfeitamente legais. Mas por que cargas eu ou você temos de pagar
pelas traduções e viagens a congressos internacionais de um escritor que
se dá ao luxo de ter umamaison secondaire às margens do Sena?
Ainda há pouco, eu comentava o absurdo de o contribuinte financiar a tradução de Chico na Coréia. Leio agora que o programa de bolsas de tradução da Biblioteca Nacional vai apoiar mais autores best-sellers no Brasil. O Diário de um Mago, de Paulo Coelho, será lançado na China pela editora Thinkingdom Media Group. Já As Esganadas, de Jô Soares,
estará nas livrarias francesas. Ora, Coelho tornou-se milionário graças
a suas obras de auto-ajuda, já traduzidas em quase 60 idiomas. Jô, que
deve ganhar salário milionário na televisão, tem seus livros entre os
mais vendidos, graças ao fator Rede Globo. Será que estes senhores
precisam enfiar a mão em nosso bolso para pagarem seus tradutores
na China e na França?
É
destas corrupções, perfeitamente legais, que prefiro falar. Porque
delas ninguém fala. Em verdade, nem mesmo os leitores. Não há quem não
chie contra a carga tributária imposta ao contribuinte no Brasil. Mas todos pagam sem chiar as mordomias destas prostitutas das Letras.Copiado de: Janer Cristaldo - Cristaldo é jornalista, escritor e tradutor e vive em São Paulo
SAPATOS CAROS À CUSTA DOS CONTRIBUINTES
Em sociedade tudo se sabe, veja a baixo 
PARIS É UMA FESTA TAMBÉM PARA PARA OS PÉS
Euristênio Jebão diretamente da Cidade-Luz
Eufóricas e deslumbradas, as mulheres do governador Sérgio Cabral e do
empresário dono da Delta, Fernando Cavendish, exibem, no show do U-2 em
Paris, os solados vermelhos dos seus sapatos da grife Christian Labout, os
mais caros do mundo, com preços acima de 6 mil dólares (mais de R$ 10 mil).
A primeira dama do Rio se dá ao luxo de usar o mesmo modelo de sapatos que
Lady Gaga, Sarah Jessica Parker, do seriado Sex and the City, e outras
celebridades mundiais. Completam o grupo a mulher do secretário Sérgio
Cortês, e duas amigas.
TUDO COM O DINHEIRO PÚBLICO.
BRASIL, UM PAÍS DE TOLOS!!!!
PARIS É UMA FESTA TAMBÉM PARA PARA OS PÉS
Euristênio Jebão diretamente da Cidade-Luz
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Paris, os solados vermelhos dos seus sapatos da grife Christian Labout, os
mais caros do mundo, com preços acima de 6 mil dólares (mais de R$ 10 mil).
A primeira dama do Rio se dá ao luxo de usar o mesmo modelo de sapatos que
Lady Gaga, Sarah Jessica Parker, do seriado Sex and the City, e outras
celebridades mundiais. Completam o grupo a mulher do secretário Sérgio
Cortês, e duas amigas.
TUDO COM O DINHEIRO PÚBLICO.
BRASIL, UM PAÍS DE TOLOS!!!!
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