domingo, 16 de setembro de 2012
A LEI DO IMPOSTO DE RENDA - VERSOS
A LEI DO IMPOSTO DE RENDA - NÃO É DITATORIAL... ???
Autoria de Heliodoro Morais
I
Com afinco eu trabalhei
Por mais trinta e seis anos
Tive sonhos, tracei planos
Até que me aposentei
Mas nada é como eu sonhei,
Pois depois de aposentado,
Virei mais um condenado
Pelo júri da crueza
A ser uma eterna presa
Da cobiça do estado
II
Sou o povão fustigado
Pelo LEÃO predador:
Da lei fiscal sem pudor
De furor desenfreado
Que usa o meu ordenado
E goza o meu benefício
Tudo meu é fictício P
ois o poder, pela lei
É dono do que ganhei
Com meu próprio sacrifício
III
Sou um provedor do vício
Da ganância do poder
Que acha mais fácil fazer
Nossa vida mais difícil
Minha casa é um hospício
Minha rota, a contramão
Réu da força da razão
Do poder autoritário
Que retém o meu salário
Pra se nutrir com meu pão
IV
Malfadada educação
Que a nobre lei subestima
Tem os custos lá em cima
Mas ninguém tem permissão
Pra deduzir um tostão
Com livro, deslocamento,
Informática, treinamento
Línguas, pós-graduação,
Dessa maneira, o LEÃO
Entrava o conhecimento.
V
Se um filho nos dá o alento
De cursar a faculdade,
Chegando à maioridade
Lá vem outro sofrimento
O pai mantém o sustento,
Mas a Lei diz: tá errado,
Será que esse desgraçado
Não mora, veste, nem come
E deve morrer de fome
Pra saciar o estado?
VI
Filho fora do mercado,
Correndo atrás de emprego
No lar descobre o sossego
De não ser abandonado
Filho tem que ser cuidado,
Com teto, pão e saúde
Mas o poder, amiúde
Mostrando ser insensível,
Reserva o seu combustível
Pra consumir nosso “grude”
VII
A norma grotesca e rude
Não permite a dedução
Renega a comprovação,
De gastos, na plenitude
Por ver como ilicitude
O sustento da família
Manda às favas filho e filha
Pai e mãe, avô e avó
Quando o sal do meu suor
Vai direto pra Brasília
VIII
Imposto? Quanta armadilha IR, ICMS
No IPI, pobre padece
No IPTU, se humilha
IOF é outra pilha
E o IPVA, oferenda
Para os cofres da fazenda
E o nosso direito é posto
No imposto que gera imposto
Pra destruir nossa renda.
IX
Nós seguimos pela senda
Dos grandiosos credores,
Como eternos devedores
Do tal imposto de renda
O LEÃO, Rei da contenda
Sempre perverso e hostil
Subtrai do imbecil
Fortalecendo o poder
E deixa o homem morrer
Na insolvência civil
X
Nosso povo varonil
Mesmo sem ter diamante,
Mansão nem carro possante
É cidadão do Brasil
Não precisa ser servil,
Nem bancar pulga de cós
Precisa ter vez e voz,
Não mordaças de terror
No poder, um defensor
Em vez de ter um algoz
XI
O que seremos após
Virarmos presa da fera?
Um “boca aberta” à espera
Do surgimento de heróis?
Um simples resto de nós
No limiar da loucura?
Sombras da escravatura
Nos porões mal assombrados
Ou robôs “coisificados”
Pelas mãos da ditadura?
XII
Isso é quase uma tortura
Que destrói a liberdade
Com vestígios de maldade
No tratar da criatura
Se em qualquer visão futura
Há reflexos do presente
Como plantar a semente
Que dê frutos de justiça
Tendo, o bem, como premissa
Do respeito à nossa gente
XIII
O povo cede impotente
À pressão oficial
Um instrumento legal
De fabricar indigente
Mal que mata lentamente
Sufoca o dom de sonhar
Pobre nem pode provar
Que seu dinheiro não sobra
Pois a receita só cobra
De quem não pode pagar
XIX
Não vale a pena passar
Pela vida desse jeito
Tem-se dever, mas direito
A lei se nega a nos dar
Não é fácil de aceitar
A dura realidade
De entrar na terceira idade
Solto como um cão sem dono
Perdido no abandono
Sofrendo necessidade
XV
É bem melhor, na verdade
Ter um câncer no pulmão,
Um ataque do coração,
Ou maior enfermidade,
Sofrer de insanidade,
Levar um tiro fatal
Ou dupla injeção letal
Que dê cabo ao sofrimento,
Do que virar instrumento
De todo assédio moral
XVI
Esse é um grito geral,
Pois reflete a agonia
De quem morre dia a dia
Mercê do golpe fatal
Da Receita Federal
De tão cruel, obsceno
De tão letal, um veneno
De tão letárgico, morfina
No uso da malha fina
Pra fisgar peixe pequeno
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